Overtourism: Quando o Turismo em Massa Vira um Problema Global — e os Destinos Alternativos que Poucos Conhecem
O overtourism — ou superlotação turística — tornou-se um dos maiores desafios do turismo global em 2025. O termo descreve situações em que o número de visitantes ultrapassa a capacidade de suporte de um destino, gerando impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais. Em muitas cidades icônicas, o turismo deixou de ser apenas uma oportunidade econômica e passou a representar um risco estrutural. Com a recuperação total do turismo internacional e o crescimento contínuo das viagens globais, destinos famosos enfrentam hoje um paradoxo: quanto mais sucesso turístico, maior a ameaça à própria experiência do visitante.
RED TUR
O que é overtourism e por que virou um problema mundial?
O overtourism ocorre quando:
A infraestrutura urbana não suporta o volume de turistas
Moradores enfrentam alta no custo de vida e nos aluguéis
Há pressão sobre recursos naturais, como água e energia
Ecossistemas sofrem degradação, poluição e excesso de lixo
A identidade cultural local é descaracterizada
Na prática, trata-se de um conflito entre crescimento turístico, qualidade de vida e sustentabilidade.
Destinos icônicos que sofrem com superlotação turística
Veneza (Itália)
Recebe até 75 mil turistas por dia e implementou uma taxa de entrada entre €5 e €10 em dias de pico, válida por mais de 50 datas por ano, como tentativa de reduzir o fluxo excessivo.
Barcelona (Espanha)
Recebeu cerca de 15,6 milhões de turistas em 2024. A cidade enfrenta protestos de moradores, crise imobiliária e planeja banir apartamentos turísticos até 2029.




Amsterdam (Holanda)
Com mais de 20 milhões de visitantes anuais, adotou impostos turísticos elevados, restrições a cruzeiros e limite para novos hotéis no centro histórico.
Santorini e Grécia
Santorini limitou 8 mil visitantes de cruzeiros por dia e implementou taxa turística de até €20 na alta temporada.
A Acrópole de Atenas restringiu o acesso a 20 mil visitantes diários




Bali (Indonésia)
Recebeu cerca de 15 milhões de turistas em 2024, enfrentando crise ambiental, escassez de água e pressão sobre resíduos, levando à criação de taxas de entrada e regras mais rígidas.
Machu Picchu (Peru)
O acesso ao sítio histórico passou a ser limitado por horário e número máximo diário, para preservar o patrimônio cultural.




Impactos sociais
Alta nos preços de imóveis e aluguéis
Deslocamento de moradores
Perda de identidade cultural local
Impactos ambientais
Degradação de trilhas, praias e parques
Superprodução de lixo
Consumo excessivo de água e energia
Impactos econômicos
Dependência excessiva do turismo
Inflação local
Saturação de infraestrutura urbana
Especialistas indicam que limites de visitantes, preços dinâmicos e redistribuição do fluxo turístico são estratégias essenciais para conter os danos.
Impactos do turismo em massa no mundo
Medidas globais para conter o overtourism
Para enfrentar o turismo em massa, governos estão adotando ações diretas para reduzir superlotação e proteger destinos:
Aumento de taxas turísticas
Limites diários de visitantes em atrações populares
Restrição a cruzeiros em centros históricos
Controle mais rígido sobre aluguéis de curto prazo (Airbnb)
Incentivo a destinos alternativos menos explorados
Fechamento parcial de pontos turísticos em horários de pico
Na Espanha, novas regras contra a superlotação fizeram os aluguéis turísticos em Ibiza caírem quase 50% em 2025, marcando uma mudança real na gestão do turismo.
Destinos alternativos e menos visitados para fugir das multidões
Enquanto locais tradicionais enfrentam excesso de turistas, destinos alternativos ganham destaque por oferecer experiências autênticas, tranquilidade e menor impacto ambiental.
Albânia (Europa)
Praias no Mar Jônico com beleza comparável à Grécia, porém com turismo ainda moderado e custos mais baixos.
Eslovênia
Lagos alpinos, cidades históricas e natureza preservada, com fluxo turístico muito menor que Itália ou França.
Geórgia (Cáucaso)
Cultura rica, vinícolas milenares e paisagens montanhosas, ainda fora das rotas tradicionais do turismo em massa.
Uzbequistão (Rota da Seda)
Cidades históricas como Samarcanda e Bukhara oferecem arquitetura única e baixa densidade turística.
Paraguai e interior da América do Sul
Regiões naturais, turismo cultural e preços acessíveis, com baixo volume de visitantes internacionais.
Destinos alternativos no Brasil
Jalapão (TO)
Serra da Capivara (PI)
Cajueiro da Praia (PI)
Vale do Jequitinhonha (MG)
Chapada das Mesas (MA)
Esses locais oferecem natureza preservada, menos multidões e experiências autênticas, além de menor pressão ambiental.
Turismo global segue crescendo — e o risco aumenta
A Europa recebeu cerca de 747 milhões de turistas internacionais em um único ano, concentrados principalmente em regiões do sul e do oeste do continente.
Especialistas alertam que, sem redistribuição do fluxo turístico, o overtourism pode se tornar o maior desafio estrutural do setor até 2030.
Nova tendência: menos turistas, mais qualidade
O futuro do turismo aponta para um novo modelo:
Menos volume e mais valor por visitante
Turismo sustentável e responsável
Experiências exclusivas e menos massificadas
Incentivo a destinos emergentes e alternativos
Equilíbrio entre turistas, moradores e preservação ambiental
O turismo tende a se tornar mais seletivo, mais consciente e mais premium
Overtourism: sucesso turístico ou alerta global?
O crescimento do turismo gera renda, empregos e desenvolvimento — mas, sem controle, pode comprometer a própria sobrevivência dos destinos mais famosos do mundo.
A pergunta que domina o debate global é clara:
o turismo deve priorizar quantidade ou qualidade?
Os destinos que encontrarem o equilíbrio entre crescimento e sustentabilidade serão os vencedores do turismo do futuro.


